quinta-feira, setembro 29, 2005

Hoje a minha musica favorita é

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Bloc Party - Two more Years
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In two more years, my sweetheart, we will see another view
such longing for the past for such completion
What was once golden has now turned a shade of grey
I've become crueler in your presence
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They say: 'be brave, there's a right way and a wrong way'
This pain won't last for ever, this pain won't last for ever
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Two more years, there's only two more years
Two more years, there's only two more years
Two more years so hold on
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You've cried enough this lifetime, my beloved polar bear
Tears to fill a sea to drown a beacon
To start a new all over, remove those scars from your arms
To start a new all over more enlightened
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I know, my love, this is not the only story you can tell
This pain won't last for ever, this pain won't last for ever
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Two more years, there's only two more years
Two more years, there's only two more years
Two more years so hold on
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You don't need to find answers for questions never asked of you
You don't need to find answers
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Dead weights and balloons
drag me to you
dead weights and balloons
to sleep in your arms
i've become crueler since i met you
ive become rougher, this world is killing me
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You don't need to find answers for questions never asked of you
You don't need to find answers

segunda-feira, julho 18, 2005

Hoje a minha musica favorita é

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Point of no Return

The random aspects of our lives
Come together once in a while
So blinding and decidedly
Naivety falls from our eyes
And we'll not regain
As we watch the tower falling down
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Maybe things can change
Only if you want
Maybe things can change
Only if you want
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You know, you know there's no avoiding
The lesson to be learned
The lesson to be learned
The point of no return
We say "What if?"But can you live it?
It's all that we deserve
It's all that we deserve
The point of no return
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Don't blame yourself
Don't blame me
But we're the ones
Who can feed the ground
So this poison tree, don't ever grow again
And from this glass and broken nerve
There is a way, there can be built
A better life for everyone
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Maybe things can change
Only if you want
Maybe things can change
Only if you want
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You know, you know there's no avoiding
The lesson to be learned
The lesson to be learned
The point of no return
We say "What if?"But can you live it?
It's all that we deserve
It's all that we deserve
The point of no return
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You know, you know there's no avoiding
The lesson to be learned
The lesson to be learned
The point of no return
We say "What if?"But can you live it?
It's all that we deserve
It's all that we deserve
The point of no return
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sexta-feira, junho 24, 2005

Colheita Sonora 2005 (1º Semestre)

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Apesar de estar em plena fase de mudanças (algumas bem radicais) na minha vida, há uma coisa que nunca negligencio e que é a musica e a paixão que nutro por ela. Este ano de 2005, apesar de ir apenas pela metade, já me deu a ouvir muita coisa boa, outra nem por isso, mas para que não me chamem faccioso, e para que não me acusem de ouvir somente os fantásticos DD, deixo-vos uma pequena lista, ordenada por preferencia, de algumas descobertas, ou noutros casos, de alguns regressos ás edições discográficas, neste primeiro semestre de 2005.

Bloc Party: Silent Alarm
Hard-Fi: Stars of CCTV
Old Jerusalem: Twice the humbling sun
Editors: The Black Room
Billy Corgan: The future embrace
Jens Lekman: When I said I wanted to be your dog
Thirteen Senses: The invitation
The Tears: Here comes the tears
The Departure: Dirty words
Hot Hot Heat: Elevator
Maximo Park: A certain trigger
Kaiser Chiefs: Employment
Rufus Wainwright: Want Two
Josh Rouse: Nashville
M83: Before the dawn heals us
Timo Maas: Pictures
Coldplay: X&Y
Doves: Some Cities
Patrick Wolf: Wind in the wires
The Arcade Fire: Funeral
The Bravery: The Bravery
Gorillaz: Demon Days
The Fiery Furnaces: The Fiery Furnaces EP
The Go-Betweens: Oceans apart
Hood: Outside Closer
Vitalic: Ok Cowboy
Oasis: Don’t Believe the Truth
The Dears: No cities left
The House Of Love: Days run away
New Order: Waiting for the sirens call
Starlux: I've been there
Peter Murphy: Unshattered
Garbage: Bleed Like Me
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sexta-feira, junho 17, 2005

Resposta ao Rui Meloso

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Veloso, Meloso, Veloso........ Como estás velho, pá!
Mas, pior que isso, como embruteceste com o passar dos anos!
A entrevista que deste ao Independente revela a amargura com que vives e mostra como o excremento que o “Fininho” guardava na algibeira te inundou a tola. Já nem sabes quem és, pois não?
O pai do “rock” português!
Ups, utilizei uma palavra estrangeira neste texto. Espero que me perdoes e desde já te prometo que de seguida me vou penitenciar, fazendo um “download”…...é pá, outra vez…....vou descarregar, assim é que é, da “Internet”......ora bolas……...da rede global, o teu iconográfico tema de 1980 “A rapariguinha do Centro Comercial”. Mas voltando atrás, tu, o pai do “rochedo” português, arreaste muito cedo o teu “Ar de Calhau” (titulo deveras bonito e identificativo com o cromo que eras – sim porque de calhau a burgesso vai uma grande distancia - 25 anos aproximadamente) e recolheste um sucesso aparatoso para a época. Os portugueses, na sua maioria, sempre te acarinharam. O próprio estado (que tanto criticas) na figura da Comissão para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses te encomendou um trabalho (o Auto da Pimenta – um autentico mono). Os teus discos sempre venderam bem, fizeste uns patacos jeitosos, mas mesmo assim andas amargurado. Que se passa contigo ?
Passo a citar-te: ”Eles sentam-se lado a lado, comem todos juntos, são amigos, bebem copos, se calhar até vão às meninas …” Por momentos até julguei que falavas de ti, do Vitorino, do Palma e do resto do gang.
E quando o repórter te pergunta: “ Somos (os portugueses) calões?” tu respondes “Sim, porque não somos bem orientados!” Eu não faria melhor, Rui! Sacode a água do capote como qualquer português que se preze! “O exemplo tem de vir de cima. Quando há pessoas, lá em cima que não pagam impostos e que acumulam pensões…” eu pensei com satisfação; se este gajo fala assim é porque já liquidou, finalmente, à Segurança Social a dívida respeitante ao Restaurante D. Tonho na Ribeira do Porto. Também, concluí, pelos preços lá praticados que só se fosses camelo e tivesses gasto tudo na casa em Sintra é que ainda não terias a situação regularizada.
Mas depois vem a parte surreal da entrevista. Tu atiras-te enfezado, de olhos em sangue e de cuspo branco nas beiças aos Duran Duran! Mas porque carga de água? “São uma das piores bandas de sempre, nunca fizeram uma música de jeito e agora são glorificados na nossa imprensa. Está tudo maluco! Os Duran Duran? Os Spandau Ballet ainda vá. Eram melhorzinhos, o gajo cantava bem e não era um parvalhão. Agora os Duran Duran?”
Assombroso ó Veloso. Deixa-me adivinhar, foi o Luís Jardim quem te contou estas fábulas? Nesta altura tive a certeza que estavas bêbedo. Bêbedo e desorientado. Uma comparação como a que fizeste só tem equivalência se algum outro alcoólatra como tu viesse para a imprensa dizer que o grupo João C. Bom ou mesmo os Café Lusitano eram “melhorzinhos” que o Rui Veloso. Por muito que eu quisesse admitir isso, o meu conhecimento musical não o permitiria. Mas uma coisa é certa, daquilo que eu conheço do Orlando dos Café Lusitano (anteriormente nos Kingfisher’s band) tu ao lado dele és um boçal.
Mas não deixemos cair ainda o tema “Duran Duran”. Imaginei por momentos explicar ao vocalista Simon Le Bon que o Rui Veloso, um musico português, que canta em português num registo bastante português como é o “blues” (azuis??), enche recintos, outeiros, largos por todo o País desde Moimenta da Beira a Fiães, de Montalegre a Loulé, de Castelo de Vide à Foz do Arelho mas não só. Que já tocou no estádio Alvalade como suporte ao incontornável monstro sagrado que é o Paul Simon (ironia), que já improvisou em palco com o B.B. King (numa altura em que este tentava recolher alguns frutos proporcionados pela participação no Rattle & Hum dos U2) e que por variadas vezes tocou no estrangeiro para a nossa comunidade de emigrantes que tanto aplaude Rui Veloso hoje, como no dia seguinte já gritam pelo Iran Costa (outro cantor, assim como tu, de referencia da musica cantada em português). Imaginei o olhar de admiração do vocalista dos Duran Duran quase em jeito de vénia ao ouvir falar de temas emblemáticos como “Chico Fininho”, “A minha namorada até fala estrangeiro”, "A Paixão (segundo Nicolau da Viola)", a já citada “Rapariguinha do Shopping”, aquela do trolha da Areosa e o expoente máximo que é o hino “Um café e um bagaço”. Imaginei o Simon le Bon cabisbaixo a pensar na medíocre carreira dos Duran Duran com mais de 70 milhões de discos vendidos, rendido às evidencias de que o monstro sagrado Rui Veloso tem toda a moral do Mundo em considera-lo “parvalhão”.
Rui, cá para nós, patético não? Fizeste figura de urso, escusadamente. Um conselho, deixa que seja, também, o Carlos Tê a responder ás questões durante as entrevistas. Quem sabe se até não vendes mais um disquito a alguma sopeirita tosca !Mas relaxa que eu sei o que te mói a alma, rapaz. Aquilo que não te deixa dormir sem entornares meia garrafa de whisky. É a Casa da Musica do Porto não é meu caro? Malditos sejam por não te convidarem para lá ires tocar! E tu até tens um repertório acústico tão jeitoso para aquele espaço, canudo. Confia em mim. Vou fazer todos os possíveis para que possas ir lá cantarolar as tuas musiquitas e com sorte até te deixam levar a harmónica. Ou então faz como costumas fazer. Mete uma cunha.
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Elliot
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(para ti, Sr Elliot)
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Entrevista do Rui Veloso ao Independente

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O INDEPENDENTE .............................Quinta 9 de Junho de 2005

(excerto de uma entrevista concedida por Rui Veloso a este semanário)


Vinte cinco anos depois, o que é feito do Chico Fininho, o “freak” que andava “com merda na algibeira”. Morreu de “overdose”, é arrumador de carros ou transformou-se num “yuppie”?
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Não sei...Alguns dos Chicos Fininhos que havia no Porto e em Lisboa infelizmente já morreram. Talvez outros sejam arrumadores de carros e um ou outro talvez tenha um emprego porreiro. Mas, em geral, aqueles que conheci não se deram muito bem.
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Ainda existem Chicos Fininhos? O que trariam hoje na algibeira?
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Uma pastilha de “ecstasy” e eventualmente uma pistola.

E o que aconteceu às rapariguinhas do “shopping”. Quem são elas hoje?
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Foram substituídas pelas imigrantes brasileiras e ucranianas. Essa letra retrata o processo de ascensão social no pós-25 de Abril. Nos últimos anos isto mudou muito.
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A rapariguinha do “shopping” do “Ar de Rock” trazia uma revista de bordados debaixo do braço... Hoje que revista seria?
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Talvez a “Cosmopolitan”, ou outra desse género que por aí há.
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Evoluímos pouco nesse aspecto?
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Evoluímos pouco em todos os aspectos. Passaram 30 anos desde o 25 de Abril e há muito que ainda não foi feito. Continuamos a cortar na cultura assim que há problemas. O fado é visto quase como música erudita quando não o é. É uma expressão popular de Lisboa. Uma expressão como os “blues” ou o “flamenco”. Até no fado nos pomos em bicos dos pés e pensamos que somos mais do que aquilo que somos. Portugal é um país periférico.
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Portugal é um país de inimputáveis?
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De certa forma, sim. O exemplo tem de vir de cima. Quando há pessoas, lá em cima, que não pagam impostos e que acumulam pensões, ao mesmo tempo que pedem sacrifícios aos outros, é natural que o povo diga: “Ai sim? Então espera lá.” Há muito tempo que tenho esperança nos vários governos e acabo desiludido. Não percebo como é que 30 anos depois do 25 de Abril ainda não houve um pacto de regime para as questões fundamentais. Eles sentam-se lado a lado, comem todos juntos, são amigos, bebem copos, se calhar até vão às meninas juntos...
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Somos calões?
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Sim, porque não somos bem orientados. Não há liderança.
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Falta-nos sensibilidade cultural?
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Falta-nos cultura. Um dos enormes erros deste país é ter uma vergonha enorme da sua cultura popular, que deve ser a base de sustentação de todas as outras manifestações.
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Faz sentido, por exemplo, que o preço dos discos inclua 21 por cento de IVA enquanto o dos livros tem apenas cinco?
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Isso acontece porque existe a ideia de que ler é uma actividade mais nobre. Mas não me parece que tenha grande lógica um mau livro ter cinco por cento de IVA e um bom disco 21.
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Nos últimos anos foi um dos principais defensores das quotas para a música portuguesa nas rádios. A necessidade de um limite mínimo não é sinal de que algo está mal? Faltam programas de autor?
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Claro que faltam. Foi com os programas de autor que me fui interessando pela música. Hoje não há nada. Só sei do que vai acontecendo porque tenho curiosidade e assino revistas estrangeiras.As novidades não chegam cá. E não me parece que a política das rádios de passar música dos anos 80, como os Duran Duran, seja a mais correcta. Aliás, o que se passa com os Duran Duran é extraordinário. São uma das piores bandas de sempre, nunca fizeram uma música de jeito e agora são glorificados na nossa imprensa. Está tudo maluco! Os Duran Duran? Os Spandau Ballet ainda vá. Eram melhorzinhos, o gajo cantava bem e não era um parvalhão.Agora os Duran Duran?
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Isso acontece porquê?
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São modas.
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quinta-feira, junho 16, 2005

Chegada

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Cheguei.
Quase 3 meses passaram desde que me despedi e embarquei nesta viagem espacial.
A plataforma orbital que me acolhe agora, olha-me com curiosidade. Um novo Astronauta, cogitam. Sinto-me observado enquanto tomo o pequeno-almoço de manha. Cada descoberta que fazem ajuda-os a conhecerem-me melhor, acham. Bebo o café de um trago e miro-os a disfarçarem os olhares. Sorrio para dentro. Tenho saudades do Luís, da Paulita, da Marisa, da Rute, da Graça, do Rogério, do Filipe, do Joaquim, do Quintas, da Cátia, da Fernanda, da Anabela, do Jorge, do Sequeira, do Carlos, do António, do Hugo T., da Sarita e, claro, da “minha” Sandra. Dos verdadeiros astronautas.
Ainda não me habituei completamente à nova rotina, à nova temperatura mas algo me diz que me vou adaptar bastante bem a esta nova Plataforma Orbital mais a Norte. Aquela que há muito ansiava mas que certos e determinados personagens menores me negavam.
Mas isso faz parte do passado. Olho com fervor para o futuro e embarco confiante nestes primeiros dias do resto da minha vida! Eu, Astronauta Elliot, pousei novamente aqui no blog e prometo manter este meu/vosso diário digital o mais actualizado possível.

domingo, fevereiro 27, 2005

Adeus

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E pronto! As malas estão feitas. A maioria está já no porão da nave que me vai transportar até ao Norte. Tenho comigo o livro que me vai acompanhar nesta viagem; K-Pax II – On a Beam of Light e penso que é tudo. Já desliguei a maioria dos aparelhos de casa, apenas restando o computador, onde escrevo este último post. Não sei quando voltarei de novo aqui ao blog, mas assim que esteja devidamente instalado na Plataforma Orbital para onde fui destacado, terão noticias minhas.
Assim sendo, Sayonara!
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sábado, fevereiro 26, 2005

Satélite

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Hoje tive um sonho estranho. Estava no meio de uma ponte e, de ambas as margens, conseguia ouvir, perfeitamente, chamarem pelo meu nome, e por mais passos que desse, tanto numa como noutra direcção, não deixava nunca de escutar as familiares vozes. Calculo que seja assim que a Lua se sinta, saudosista em demasia, para partir de vez, ela apenas se retira por breves momentos, para regressar segura e radiante, assim que precisamos dela. E tal como este satélite natural da terra, por muito que eu me afaste agora, tenho a certeza que, por alguns, hei-de regressar sempre.
Esta é para ti Lucky Luke.
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Satellite
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Satellite satellite in my eyes
like a diamond in the sky
how i wonder.
sattelite strung from the moon
and the world your balloon
peeping tom for the mother station
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winter's cold spring erases
and the calm away by the storm is chasing
everything good needs replacing
look up, look down all around, hey sattelite
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sattelite, headlines read
someone's secrets you've seen
eyes and ears have been
sattelite dish in my yard
tell me more, tell me more
who's the king of your sattelite castle?
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winter's cold spring erases
and the calm away by the storm is chasing
everything good needs replacing
look up, look down all around, hey sattelite
rest high above the clouds no restrictions
television we bounce 'round the world
and while i spend these hours
five senses reeling,
i laugh about the weatherman's sattelite eyes.
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sattelite in my eyes
like a diamond in the sky
how i wonder.
sattelite strung from the moon
and the world your balloon
peeping tom for the mother station
.
winter's cold spring erases
and the calm away by the storm is chasing
everything good needs replacing
look up, look down all around, hey sattelite
.
rest high above the clouds no restrictions
television you bounce from the world
and while i spend these hours
five senses reeling
i laugh about this world in my sattelite eyes.
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;-)
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sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Pensamento

Os Homens nunca usaram totalmente os poderes que possuem para promover o bem, porque esperam que algum poder externo faça o trabalho pelo qual são responsáveis.
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John Dewey (1859-1952).
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Para a Dra Mariana e Dr Queijas
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A Transferência (na 3ª pessoa)

A estória que me proponho a contar, poderá parecer-vos demasiado irreal para ser verdadeira. Mas vão por mim. Astronauta não mente!
Um caríssimo colega de profissão, possivelmente aborrecido com a paisagem inóspita do pólo Sul, requereu transferência para uma plataforma orbital mais a norte do planeta Terra. Aparentemente, uma tarefa simples, não? Bastaria um requerimento devidamente preenchido, uma boa vontade das chefias, e logo logo, este colega Astronauta estaria a desfrutar das lindíssimas auroras boreais do Pólo Norte. Mas, infelizmente para ele, não foi isto que sucedeu. E passo a explicar. A vida como Astronauta não está fácil nos dias que correm. O governo insiste em considerar-nos um “monstro” demasiado pesado para suportar. Não há dia que passe em que não ouçamos falar em cortes estruturais, em salários congelados, em reformas mais tardias, e principalmente na inexistente progressão das carreiras. Assim sendo, actualmente, e contrariando muitas e precipitadas opiniões, ser-se funcionário do Estado, nomeadamente Astronauta, não é tão doce como possam imaginar. Mas voltemos ao colega. Como as hierarquias são para ser cumpridas, este, comunicou, de imediato, o seu intento, à superior directa: a Dr.ª Florbela. Ora, esta criatura, sobejamente conhecida por todo o Instituto Geral dos Foguetões (I.G.F.), pelo facto de utilizar, somente, um terço do cérebro, anuiu aos propósitos do camarada Astronauta, e de forma firme e concreta, assegurou-lhe, imperturbável: “Padeço de diarreias muito fininhas”.
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Primeira etapa ultrapassada. Próximo passo; reunião com a Directora de Núcleo dos Serviços Espaciais, Dr.ª Mariana. Nos corredores da base, as opiniões sobre esta senhora, são ambíguas. E nem ela própria saberá da total hipocrisia em seu redor. Provavelmente coraria, com os impropérios e queixas sussurradas, pelas suas chaperons oficiais, Hermínia e Idália, sobre a sua pessoa, à Dr.ª Alexandra, afastada, prematuramente, destes Serviços, de forma injusta e que não dignificaram em nada, a sua Directora. Talvez, e isto não passa de mera suposição da maioria dos Astronautas do Instituto Geral dos Foguetões, o maior defeito da Dr.ª Alexandra, foi o de não ter um sogro bem cotado no meio. Mas avancemos para terrenos menos lodosos. Frente a frente com a Directora do Núcleo dos Serviços Espaciais, o colega Astronauta, expôs, pela segunda vez, sua pretensão. Contar-me-ia mais tarde, ter ficado animado com a receptividade desta, e, confiante, revelou ter a certeza de que, a Directora Mariana, tudo faria para que a sua transferência fosse tratada com a maior celeridade. Obviamente, franzi o sobrolho. “És do bom tempo”, pensei, enquanto lá do fundo da sala, a inocente, Dr.ª Florbela, com o rato do PC, encostado à orelha esquerda, clarificava: “ São líquidas, pelo amor de Deus, são fezes muito líquidas. Aquosas. ”
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Continuando a subir pelos degraus hierárquicos deste Instituto Público, restava somente, por ora, ao colega Astronauta, entregar o requerimento ao Excelentíssimo Senhor Director do Instituto Geral dos Foguetões, o Dr. Queijas. O topo da escada hierárquica! O cume do Instituto. A coroa real da família Astronauta.
Mas como descrever este homem? Como descrever o homem que está à frente do magnânime I.G.F? Parece-te difícil, paciente leitor? Enganas-te então. Este homem reúne consensos. Não há opiniões divergentes, não há incertezas, há sim, dados concretos, provas materiais, convicções estóicas. O Dr. Queijas é o maior!! Todos, mas todos os Astronautas sagazes, existentes em terra ou em órbita, vivos ou mortos, não tem pejo em considerar este homem, o maior asno do Universo.
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O facto deste espécime não olhar nos olhos do seu semelhante enquanto mantém uma conversa, de revelar total falta de carácter nas opções que toma, de mentir desavergonhadamente aos funcionários e principalmente por lamber as bordas do secular ânus da Directora do Núcleo Dr.ª Mariana, ajudaram-no a conseguir esta propalada fama pelos corredores do Instituto. Uma das questões primordiais que cada Astronauta colocou a si próprio, pelo menos uma vez na vida é “Como é que este maneirinho chegou onde chegou?” Há quem fale da “Opus Dei”. Mas, com receio de estar sob escuta do Vaticano, não vou aprofundar este tema.
Bom, certo é que o colega entregou o requerimento a este Dr. da Mula Ruça, tendo-lhe sido prometido, e isto já era sabido por todos, que, aquando da fusão entre os dois institutos, o I.G.F., Instituto Geral dos Foguetões com o Instituto Superior do Sistema Solar (I.S.S.S), anunciada para breve, este, comprometia-se, durante a elaboração das novas listagens dos funcionários, colocar de imediato, o camarada Astronauta, na plataforma mais a Norte, como este havia requerido. Tudo OK, não fosse esta, mais uma das mentiras do Queijas.
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1 ano e 2 meses passaram e nada. O colega Astronauta esperou e desesperou mas o deferimento não saiu. Para piorar a situação, foi-lhe retirada a plataforma orbital, que geria com competência e eficácia, pela sórdida Directora Mariana, (por motivos que ainda hoje o colega diz não compreender) e colocado numa secretária, à parte dos restantes Astronautas, sem telefone e praticamente sem trabalho, a não ser a miserável anotação de dados no imprescindível sistema informático criado pela competente Dra. Alexandra, que viria a ter como prémio, como já em cima referi, uma facada nas costas, perpetrada pala manhosa Mariana, perante o olhar mortiço do Queijas.
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Soube posteriormente, que por esta altura, o caríssimo colega teve um pequeno quid pró quo com uma Astronauta da Sede do Instituto, sito na Avenida da Boavista, muito por culpa de um telefonema mal entendido, mas que viria a originar o afastamento dos dois. Não aprofundo mais este assunto, pois o camarada fez-me jurar pela Graça do Senhor não revelar o nome da colega e mais acrescentou que estas feridas tem, por norma, o seu tempo para sarar, e o que está agora desfeito, irá ser consertado, assim que convier a ambos (assunto este já abordado num anterior post de titulo “Fácil/Difícil”).
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Para além da fusão dos institutos, agora com a sigla I.S.S., Instituto Steinn Sigurdsson, em honra do excelso professor do Departamento de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Pensilvânia, tudo se manteve na mesma. O Queijas continuou a afocinhar a fronha no traseiro hercúleo da Mariana, que por sua vez, manteve o mesmo número de amizades no Instituto: 0 (zero), enquanto a Florbela amarga ainda de dores hemorroidais que a impedem de manter as pernas fechadas, enquanto sentada.
Agastado com toda esta burocracia, senti, no entanto, que o camarada Astronauta não iria desistir. E assim foi. Agora no I.S.S., a força do Queijas era muito menor, havendo, acima dele, pessoas competentes e idóneas capazes de dar uma resposta eficaz a um pedido de mobilidade interna, tão simples como este. E é desta forma que o Dr. Linhares da Silva, Director Adjunto do Instituto, homem sério e líder incontestado, entra nesta estória tão labiríntica, onde o firme leitor se encontra enredado.
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Ora, contactado pelo colega Astronauta, este senhor, mostrou, desde o início, a sua intenção em deferir o assunto de uma vez por todas. Chamou ao seu gabinete o Dr. Queijas, que apavorado com tamanha convocação, enfrentou durante os 10 dias seguintes, o mais faustoso ataque de flatulências descrito nos anais da História do Instituto. O que se passou lá dentro só os dois saberão, no entanto, cá fora o cheiro era tão demolidor que, no espaço de meia hora o edifício foi evacuado e selado. Os céus interditados a aviões de pequeno porte, e a chegada do INEM, assinalada com “vivas” e “aleluias” por parte dos Bombeiros que fraquejavam consoante aproximação à sala onde a reunião decorria.
Por fim as portas abriram-se e, no meio da neblina intestinal, apareceu tal qual D. Sebastião de Portugal, o Dr. Linhares da Silva, majestoso no seu fato de Astronauta, impermeável à fragrância mortal do Queijas. Ao seu lado, qual farrapo humano, vinha o maneirinho, amarelo de tanta soltura.
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Não demorou muito para que este Dr. Polichinelo corresse para as saias da Dra. Mariana e lhe contasse a desautorização a que tinha sido sujeito. Esta, solidária, confortou-o no seu regaço cantando-lhe: “Nana, nana, meu menino, Qu'a mãezinha logo vem, Foi lavar os teus paninhos (bem sujinhos), Ao reguinho de Belém.”
O Queijas estava possesso! A azia que nutria pelo Dr. Linhares e pelo colega Astronauta era demasiado dolorosa de suportar. Precisava de mais do que uma simples canção de embalar. Precisava de expulsar a sua raiva. Vai daí, pam, pam, soltou mais duas das dele!!! A Florbela, que passava do lado de fora do gabinete, pensou para si mesma: “Ai que saudades em largar-me assim sem deixar molho nos cueiros!”
A Mariana esteve doze minutos inconsciente!
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O fim desta estória aproxima-se a passos largos. Com a eficiência do Dr. Linhares da Silva, aquilo que já parecia impossível, estava prestes a tornar-se realidade e a alegria voltara de novo ao rosto do colega Astronauta. Nos Serviços Espaciais, a vida encontrara, novamente, a sua rotina peculiar. A Directora Mariana mantinha o ritual do pequeno-almoço com as duas infelizes. A Florbela, quando não estava a fumar, acendia um cigarro e o Queijas, apesar das duas queixas apresentadas pelos vizinhos à QUERCUS, manteve-se a morar no mesmo edifício, embora a providência cautelar, o impeça de ter as janelas de casa abertas.
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Até que chegou o dia em que o telefone tocou. Embora não o conseguisse explicar, li na expressão pesada do colega Astronauta, que aquela não era uma chamada qualquer. Este pressentia que aquele telefonema era primordial. Quase um ponto de partida para o resto da sua vida. Hesitou. Comecei, eu mesmo, a ficar agitado. “Atende o telefone! Atende o telefone!”murmurei por entre os dentes. Passara quase um ano e meio desde que este se tinha sentado no gabinete da Dr.ª Mariana indicando-lhe sua intenção em ser transferido, e hoje, do outro lado da linha, daquele ruidoso aparelho, informações importantes aguardavam para lhe ser transmitidas e o camarada não se movia, quase nem respirava. “Elliot”, chamei-o. O colega, saindo do transe, levantou os olhos na minha direcção e, simplesmente, lhe fiz figas com os dedos. Ele assentiu com a cabeça, acercou-se do telefone e lentamente levantou o auscultador.
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Lembro-me bem dos segundos seguintes. Enquanto o colega falava ao telefone, recordei o seu primeiro dia nos Serviços Espaciais. A sua postura, aparentemente, arrogante, e que no início tinha incomodado alguns dos Astronautas mais complexados, nada tinha a ver com a pessoa que representava. Um tipo afável, bem-humorado, com uma notória paixão pelo sexo feminino, grande apreciador de música e de cinema, e com quem tive muitas e agradáveis conversas sobre os mais variados assuntos. Um tipo que adorava uma bela estória. Tanto de a contar como de a ouvir. E mesmo em temas, aparentemente, sem interesse ou ausentes de qualquer utilidade, este, colocava-lhes uma carga dramática tão forte que transformava pequenos pedaços de informação inóspitos, nas mais curiosas aventuras que alguém se haveria de lembrar. O Elliot Duran era assim e agora ali estava ao telefone, com um sorriso cada vez mais alargado, enquanto eu me dava conta, de começar já a sentir saudades por aquele fulano.
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segunda-feira, fevereiro 21, 2005

TELEGRAMA

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Olá Cara-Linda. Stop.
Daqui de cima a Terra parece-me tranquila. Stop. Serena. Stop. Não imaginas o quanto desejava que aqui estivesses para poder partilhar este momento contigo. Stop. As saudades são mais que muitas. Stop. Por vezes é demasiado solitário ser-se Astronauta. Stop. Por isso mesmo te agradeço o CD que me enviaste. Stop. Foi primordial para me ajudar a esquecer um pouco esta isolada e espacial existência. Stop. Os temas é que...........olha, esquece. Stop.
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01-David Bowie - Space oditty
02-David Bowie - Starman
03-David Bowie - Life on Mars
04-David Bowie - Loving the Alien
05-Duran Duran - Planet Earth
06-The Police - Walking on the Moon
07-The Church - Under the Milky Way
08-Joy Division - Atmosphere
09-Depeche Mode - Enjoy the Silence
10-Echo & the Bunnymen - The Killing Moon
11-Embrace - Gravity
12-Beatles - Across the Universe
13-Oasis - Champagne Supernova
14-Sigur Ros - Staralfur
15-Love & Rockets - Saudade
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Elliot
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P.S. O Space Cowboy do Jamiroquai foi esquecimento, foi??? Stop.
Gorda!!
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sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Pensamento

“…O dialogo é a própria civilização (...) a palavra mantém o contacto, o silencio isola…”
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Thomas Mann (1875 - 1955)

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É cada postal!!!


Mais um aniversário, mais um ano! É a família reunida, é folia com a malta, é o bolo, é o champanhe, são as prendas e os postais. E são estes últimos os que mais aprecio. Os postais! A palavra escrita vale ouro. E em tardes saudosistas de Inverno, nada melhor que recorda-las. É óbvio que, em postais de aniversário, não espero encontrar textos líricos, ricos em recursos estilísticos e, muito menos, ser surpreendido com divagações filosóficas cheias de relevância, mas é aí, nessa ausência de substância, que reside a força de um Postal. A energia de uma piadola, a preguiça de um lugar comum ou a audácia de um palavrão são, para mim, imbatíveis. Hoje recordei um Postal de uma antiga namorada:
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“Parabéns meu fofinho! És a razão da minha existência. A maneira como me tocas deixa-me tão patareca! Tenho a certeza que os meus pais hão-de aceitar a nossa diferença de idades. A mãe já reduziu a medicação e o papá aceitou bem a providência cautelar, tendo-me garantido que manterá a distância da tua casa, imposta pelo Tribunal. Como vês, meu amor, depois da tempestade vem sempre o Bonanza. Anseio pelo dia em que terminarei o Liceu para ir viver contigo. Amo-te muito Peludinho!”
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"Bonanza"!!??Duh! O exagerado fascinio dos jovens pela televisão sempre me incomodou. Mas adiante, por esta altura recebi também um Postal de um primo afastado, o qual leio de seguida:
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“Olá primaço, ainda és benfiquista? Tens de rever isso, pá! Quando é que apareces cá na terra? O pessoal do Portela mandou avisar que as “franciús” boazonas estão cá pela Páscoa. Vens cá ver o cortejo? A tua mãe contou à minha, que andaste aos tiros por causa de uma garina. É verdade? Tu toma cuidado, primo! Vá, os meus parabéns e manda aí um abraço aos teus pais. P.S. Sabes que Gina está grávida do Tó de Paraduça, aquele que fornicava as galinhas do Seixas? O pai dela anda possesso e uma das galinhas fugiu pra Viseu, cega de ciumes!”
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Singular no mínimo! Por fim, o Postal que me reconfortava sempre nos meus maus momentos. O Postal do amigalhaço, que, recordo-me bem, rezava assim:
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“Ó palhaço fazes ânus é? Tás velho e gordo, pá! Ainda andas a papar aquela pitinha? Que cabrão de pedófilo me saíste! E o pai dela voltou a apontar-te o zagalote? A tua sorte foi ele ter má pontaria. Um pouco mais acima e ficavas a falar fininho! Nunca mais apareceste aqui no Jumbo!!Olha, já desmarquei a Graciana, damos um salto ao Pérola, logo? Esta noite é prá desbunda, brother! Pêgas, vinho e força na verga!!! Tens é de levar o carro pois apreenderam-me a carta por excesso de sangue no álcool. Ehehehe. Vou ter de "bazar". Tenho um stock de enlatados para repôr, um abraço e parabéns mais uma vez, urso!”
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Imbatível!
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terça-feira, fevereiro 15, 2005

Pensamento

"Mais um ano. Mais um palmo a separar-me dos outros, já que a vida não passa de um progressivo distanciamento de tudo e de todos, que a morte remata."
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Miguel Torga (1907-1995)
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segunda-feira, fevereiro 14, 2005

14 de Fevereiro de 1971

Faz hoje, precisamente, 34 anos! Pouco passava da uma da manhã, mas ao invés da acalmia da hora, o alvoroço era intenso. Ele esperou sempre do lado de fora da sala, agitado e incrédulo por não poder fumar. Já a minha mãe, serena, aguardava, deitada, que me colocassem no seu regaço. As primeiras palavras saíram-lhe exaustas mas radiantes. Já com o meu pai sentado na cabeceira da cama, sussurrou-me ao ouvido: “Bem-vindo ao mundo meu filho!”
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sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Pensamento

Até uma falsa alegria é em geral preferível a uma verdadeira tristeza.


René Descartes (Séc. XVII)

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quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Uma História Simples

Apesar de ter saído há pouco tempo de casa dos meus pais, 3 anos aproximadamente, há sempre uma nostalgia ao voltar a entrar nela. A sensação de estar no sítio mais seguro do mundo, rodeado pelas paredes que me viram crescer, é óptima. E naquela noite não foi diferente. A minha mãe telefonara-me, convidando-me a lá ir jantar, pois, na sua opinião, o meu pai andava um pouco abatido. Evidentemente, anui ao seu pedido e, não deveria passar muito das 8 horas, quando por fim, cheguei.
Meus pais são relativamente jovens. Minha mãe conta com 56 primaveras e o meu pai atingiu a bonita idade dos 65. Ambos saudáveis, activos e muito acarinhados pelo meio vicinal. Naquela noite, porém, o meu pai estava deveras deprimido. Sentado à mesa de jantar, de olhar vago, parecia nem notar a nossa presença, as nossas conversas. Apenas o corpo dele marcava figura, pois o espírito vagueava por entre quadros de memórias passadas. Meu pai sempre viveu a vida com muita intensidade e energia e é agora, com pesar, que vê os anos passarem por ele, sem a possibilidade em lhes pôr travão. Minha mãe entreolhava-me, como que a pedir que lançasse assuntos para a mesa que lhe despertassem a atenção e eu assim fazia. Puxei pela ultima vitória do Benfica, continuei pelo futebol recordando a atitude bastante “à lá Mourinho” do Couceiro no discurso de apresentação, lancei-me pelos terrenos da politica, pelos boatos e pelo baixo nível que tem caracterizado esta campanha, inclusive questionei-o se já estava a par do boato (mais um) referente a um determinado jogador do FCP (que eu não vou reproduzir aqui no blog para não ajudar a alastrar este tipo de “desinformação”), mas ele nada. Apesar de mais atento, mantinha a sua presença ainda desfocada aos nossos olhos. Serei assim um dia, pensei? Quase que juro que sim. Se há facto que me assuste imenso é o de envelhecer. Assusta-me e comove-me. Não consigo ouvir ninguém para cima dos 70 anos, contar façanhas realizadas enquanto jovem, sem ficar com um nó na garganta. Nem que as ditas estejam repletas de humor e interesse. Não consigo dissociar deste emissor, o facto dele estar na recta final desta corrida sem vencedores de nome Vida. E da mesma forma, também não acredito que, alguém que tenha visto um filme como o “Uma história simples” do Lynch, sem se emocionar, tenha coração. Nisto sou imensamente parecido com o meu pai. Prossegui, como diria o Markl, com todos os “desbloqueadores de conversa” que me vinham à mente. Abordei a interessante mostra sobre o Titanic no parque da Alfandega do Porto, da exposição da Paula Rego em Serralves, das intermináveis obras na Casa da Musica, da repetida nomeação do Clint Eastwood para melhor actor do ano, do concerto dos irlandeses U2 agendado para Agosto, mas nada.
Até que, quando já me preparava para lançar a toalha ao chão, um pequeno milagre aconteceu. A minha mãe delicadamente perguntou-lhe: “Não notas nada de diferente no arroz de hoje?” Fez-se silêncio. Meu pai mirou-a. Eu mirei o meu pai de soslaio e ambos, simultaneamente, levamos uma garfada à boca. “Sim, realmente está diferente. Está mais saboroso. Que lhe puseste?” Eu estava incrédulo. Meu pai sorria. Poderia ter continuado noite adentro tentando encontrar algo que o motivasse, algo que lhe despertasse a atenção, mas com certeza que meus esforços seriam infrutíferos. No entanto, bastou a esposa, a sua melhor amiga, fazer aquela pergunta tão inocente quanto trivial, para este sair do transe em que se encontrava e retorquir-lhe. Sorri de extrema felicidade enquanto a minha mãe lhe respondia: “Juntei-lhe 1 caldo Knorr!”
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sábado, fevereiro 05, 2005

Pensamento

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"O homem sofre tão terrivelmente no mundo que se viu obrigado a inventar o riso."
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Friedrich Nietzsche (1844-1900)

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sexta-feira, fevereiro 04, 2005

O Puzzle pt.final

Até que.... não,....... a resposta não podia ser assim tão simples!? Elementar, até! Inadvertidamente, tinha acabado de decifrar o enigma do jogo. Era mais do que óbvio! O motivo da alegria dos cães, a estranheza do olhar dos miúdos focada no rapaz sem face, tudo se unia agora em perfeita harmonia. Sorri com a descoberta, embora aturdido, com a simplicidade desta. Mas tinha a certeza, o garoto, cuja ausência da peça do puzzle, me impedia de lhe descortinar feições, estava a tocar um instrumento musical! Daí, não lhe ver também as mãos que levava à cara. Uma flauta, possivelmente, ou até mesmo uma harmónica. Mas era, sem dúvida, isso. O miúdo era musico, e espantava a plateia de crianças, com a execução de melodias perfeitas que maravilhavam os cães que saltavam felizes, por entre elas. Que gravura magnifica!
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Até que, e agora vem a parte curiosa da estória. Passada mais de uma década, numa chuvosa tarde de Inverno, arrumava, preguiçosamente, o quarto, quando, no fundo do antigo baú, por entre revistas de B.D e Legos, encontro a velha caixa do puzzle. Parei por momentos. Confesso que hesitei em pegar-lhe. Os anos tinham passado por ambos. Eu já não era o miúdo ansioso, ávido por respostas e ela já não brilhava como outrora mas o destino decidira juntar-nos de novo. Agachei-me para a agarrar. Era capaz de jurar que ouvia o meu pulsar cardíaco no silencio do quarto. Pousei-a na cama enquanto as memórias me assaltavam a mente. Esta era a caixa do célebre puzzle. Abri-a e espreitei o seu escuro interior. Vazio. Se calhar não fazia mais sentido guarda-la no velho baú. Suspirei e joguei-a decididamente para o canto do quarto, onde já se amontoavam outras velharias inúteis. E como explicar-vos o que sucedeu a seguir? Revejo esta cena, em câmara lenta, ainda hoje. O esvoaçar da caixa que, sobrevoou o quarto de uma ponta à outra, até embater silenciosamente num conjunto de velhos cadernos, fazendo saltar de dentro dela, um pequeno pedaço de cartão, que rodopiou delicadamente antes de se deter imóvel no chão do quarto.
O mundo parou à minha volta. A peça! A peça que faltava. Mas como? Era impossível ter-me passado despercebida durante todos estes anos. Mas de facto ali estava. Ali, no chão do meu quarto! E agora? Aproximei-me lentamente do pedaço inerte, baixei-me para lhe pegar constatando o irónico facto de que o lado virado para mim era exactamente o da parte de trás da imagem. Mas de súbito senti-me a congelar. As pontas dos meus dedos tocavam já no apático pedaço de puzzle, mas sentia nos restantes músculos do corpo uma resistência inexplicável.
O que me iria revelar este último bocado de uma gravura, que sempre conheci, incompleta? Ou então, o que me iria tirar? Sim, o que me iria tirar? Seria a verdade mais interessante do que a estória que a mim próprio contara mil e uma vezes? Valeria a pena concluir esta demanda? Quereria o miúdo sem cara que eu lhe conhecesse, finalmente, as feições? Recuei. Meus dedos afastaram-se lentamente do pequeno pedaço de cartão enquanto me erguia.
Olhei uma vez mais para o puzzle das mil peças, ou melhor, das 999 peças, emoldurado na parede do meu quarto, sorri e afastei-me confiante.
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quinta-feira, fevereiro 03, 2005

As Meninas da Meteorologia


Salvo erro, na primeira grelha de programação da SIC (ainda esta dava os primeiros passos) constava um simpático espaço informativo, muito apreciado por mim e pelos meus compinchas, que era a Meteorologia. Evidentemente, não era o estado do tempo, o motivo que nos prendia ao ecrã, mas sim as beldades que o apresentavam. Provavelmente não se recordarão pois já passaram mais de 10 anos (a SIC iniciou suas emissões em 6 de Outubro de 1992) mas eu nunca esqueci. As miúdas eram 3. Duas loiras e uma morena. E é precisamente desta morena que eu tenho saudades. A Maria João Pinheiro! Lindissima, de sorriso branco, cristalino. Mesmo quando se avizinhavam aguaceiros ou quedas de granizo, o olhar dela transmitia o calor dengoso de um final de tarde de Verão. E os cabelos? Aqueles rebeldes caracóis castanhos que se agitavam num misto de anticiclone versus neblinas matinais. Majestoso. Lembro-me, no entanto, de ter lido em alguma revista, que esta bela jovem, conciliava a apresentação da Meteorologia com o curso Terapia da Fala. E éé exxa-cctmente sobvre extee açunto qe mee qria ddubrussar ppoiss teeho nuttadu em min unha cce-rrta dixlecssia. Suuábe é c-ertu, maas maix válee pruvnir qu rumediar. Purr issu fiqa u apeelu, Mmaria Juªo Pinei-gu, see lleres ixtu, pur fa-vor, enntr.a en cuntakto com.migo. Prussiço dda tyua turapia. Obbrugado.
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P.S. As restantes duas loiras são a Alexandra Fernandes (a Pamela Anderson portuguesa, duhh!!) e a Cristina Mohler , ex- apresentadora de concursos da treta.
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